Capítulo XVIII – Como alcançar e conservar a integração. Por Erika Mesquita e Laryssa Miranda

No capítulo XVIII, Deutsch apresenta as condições essenciais para a criação e o sucesso de uma “Comunidade Integrada”. Entre as tarefas de integração, o autor cita a conquista de uma nova identidade funcional. Essa nova identidade se daria pela frequência de utilização de símbolos comuns e a criação e amplitude de novos. Apesar do autor falar sobre a identidade, ele não desenvolve mais sobre essa questão. Deste modo, trazemos o vídeo abaixo para refletirmos um pouco sobre isso.

No vídeo acima podemos perceber uma troca entre dois “seres” de ambientes diferentes. Essas começam a ficar tão intensas que cada “individuo” começa a ter características que não lhe são próprias. Ao final do vídeo, os dois desaparecem ao tentarem se encontrar. Relacionando o vídeo com o processo de transculturalismo e com a aquisição de uma nova identidade funcional, nós gostaríamos de indagar os leitores sobre o que acontece com a identidade “nacional” no processo de integração.

Segundo Stuart Hall (1992), a identidade não é fixa e está sempre em transformação, é formada por meio de processos inconscientes e que sempre estão em formação, consiste em um processo em andamento.

A questão da identidade é algo extensamente discutido por ser um conceito demasiadamente complexo, pouco desenvolvido e compreendido. O processo de globalização tem um grande impacto sobre a identidade cultural.

A identidade surge não da plenitude que está dentro de nós mas da falta da intereza que é ”preenchida” a partir do nosso exterior. Nós continuamos buscando a ”identidade” e construindo biografias que tecem diferentes partes de nossos eus.

David Harvey (1989 p.12) fala da modernidade como implicando não apenas um rompimento impiedoso com toda e qualquer condição precedente, mas como caracterizada por um processo sem fim de rupturas e fragmentação internas no seu próprio interior.

Os lugares permanecem fixos; é neles que temos “raízes”. Entretanto, o espaço pode ser “cruzado” num piscar de olhos __ por avião a jato, por fax ou por satélite. Harvey chama isso de “destruição do espaço através do tempo” (1989, p. 205).

O sujeito pós moderno não tem uma identidade fixa, essencial ou permanente. A globalização tem causado abalos nas identidades culturais fortes, tornando-as fragmentadas e efêmeras pela multiplicidade de culturas híbridas que transformam o sujeito sociológico em pós-moderno global.

De acordo com Hall (2014 p.43) quanto mais a vida social se torna mediada pelo mercado global de estilos, lugares e imagens, pelas viagens internacionais, pelas imagens da mídia e pelos sistemas de comunicação globalmente interligados, mais as identidades se tornam desvinculadas, desalojadas de tempos, lugares, histórias e tradições específicos e parecem flutuar livremente.

Deste modo, a integração promove uma dupla-identidade ou promove a criação de uma nova identidade única?

Ao ouvirmos a Sol, durante a apresentação do capítulo XVI, pensamos que a primeira opção pode ser a mais provável: uma dupla-identidade, como francesa e europeia. No entanto, creio que se as trocas se tornarem tão intensas como no vídeo, no futuro haverá a criação de uma nova identidade única. E, caso não haja nem  o compartilhamento e nem o uso de símbolos comuns, a desintegração será o caminho mais provável (Brexit).

 

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